Novo remédio similar ao Ozempic e ao Mounjaro: orforgliprona oral e ecnoglutida reduzem até 13% do peso em estudos clínicos

Profissional de saúde entregando pílula a paciente sorridente em clínica moderna, com referências a Ozempic e Mounjaro

Dois estudos publicados em revistas científicas apontam eficácia da nova geração de agonistas do receptor GLP-1 para controle de peso e glicemia

Pesquisas recentes com duas moléculas da família dos agonistas do receptor de GLP-1 — mesma classe de medicamentos como Ozempic e Mounjaro — mostram resultados promissores para perda de peso e melhora do controle glicêmico. A orforgliprona, uma formulação oral não peptídica em fase 3, reduziu até 9,6% do peso corporal em adultos com obesidade e diabetes tipo 2 ao longo de 72 semanas. Já a ecnoglutida, estudada em pacientes com sobrepeso ou obesidade sem diabetes, provocou redução entre 9% e 13% após cerca de 40 semanas.

Orforgliprona: um GLP-1 oral em fase 3

O ensaio de fase 3 com orforgliprona foi conduzido em 136 centros de dez países e avaliou 1.613 participantes randomizados para receber doses diárias de 6 mg, 12 mg ou 36 mg, ou placebo, além de intervenção em estilo de vida. A perda média de peso ao final de 72 semanas foi de 5,1% (6 mg), 7,0% (12 mg) e 9,6% (36 mg), contra 2,5% no grupo placebo. O estudo também mostrou melhora estatisticamente significativa em parâmetros cardiometabólicos, incluindo hemoglobina glicada.

Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais leves a moderados, principalmente durante a fase de titulação. As descontinuações por eventos adversos foram mais frequentes nos braços com medicamento (6,1% a 9,9%) do que no placebo (4,1%). Durante o estudo foram registrados dez óbitos — seis entre os que receberam orforgliprona e quatro no grupo placebo — que, segundo os investigadores, em sua maioria não estavam relacionados ao tratamento. Houve menção a dois casos avaliados de forma distinta (um no grupo placebo e um no grupo 12 mg), e os autores não relataram relação causal com a droga no caso associado.

A Lilly, que desenvolve a molécula, destacou comparação com semaglutida oral: orforgliprona 36 mg apresentou perda média de 8,9 kg (9,2%) contra 5,0 kg (5,3%) com semaglutida oral 14 mg, equivalente a redução relativa de 73,6%. A empresa aguarda decisão do regulador norte-americano para indicação de obesidade.

Ecnoglutida: perda de 9% a 13% em estudo sem diabetes

O estudo SLIMMER avaliou 664 adultos com sobrepeso ou obesidade sem diabetes na China, randomizados para doses semanais de ecnoglutida (1,2; 1,8 ou 2,4 mg) ou placebo. Após cerca de 40 semanas, a redução de peso variou de 9% a 13% nos grupos com ecnoglutida, enquanto o grupo placebo apresentou quase nenhuma mudança. Entre os que receberam ecnoglutida, 77% a 87% atingiram perda de pelo menos 5% do peso corporal, contra 16% no placebo.

Os eventos adversos foram majoritariamente gastrointestinais leves a moderados, com baixas taxas de interrupção do tratamento, e os autores classificaram o perfil de segurança como comparável ao de outros agonistas do receptor GLP-1 já usados clinicamente.

O que essas novidades significam para pacientes e sistemas de saúde?

Os resultados ampliam as opções terapêuticas para obesidade e controle glicêmico, com destaque para a possibilidade de um GLP-1 oral eficaz, caso a orforgliprona receba aprovação. Ainda assim, especialistas apontam a necessidade de acompanhamento de longo prazo para segurança, avaliação de eventos cardiovasculares, efeitos adversos raros e impacto sobre mortalidade.

Além disso, diferenças práticas importam: orforgliprona é uma pílula diária, o que pode facilitar adesão em comparação com injetáveis semanais como ecnoglutida e algumas formulações de semaglutida. Por outro lado, custo, cobertura por sistemas de saúde, critérios de prescrição e disponibilidade continuarão sendo fatores decisivos para o acesso.

Em resumo, orforgliprona e ecnoglutida mostram que a próxima geração de medicamentos semelhantes a Ozempic e Mounjaro pode oferecer alternativas eficazes para perda de peso e controle metabólico, mas decisões clínicas e regulatórias dependerão de revisões completas de segurança e benefícios a longo prazo.

Nota Educativa: O conteúdo do Plano A: Saúde é puramente informativo e educativo. As informações aqui compartilhadas não substituem o diagnóstico ou o aconselhamento médico e nutricional. Sempre consulte um profissional de saúde antes de realizar mudanças drásticas em sua dieta.

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