Pare de Tomar Suplementos Sem Antes Ler Isto: 9 Riscos, Interações e Como Escolher com Segurança

Pessoa segurando suplemento com expressão preocupada, fundo de farmácia, refletindo sobre o uso de suplementos antes de tomar.

Pare de Tomar Suplementos Sem Antes Ler Isto: 9 Riscos, Interações e Como Escolher com Segurança

Antes de comprar o próximo frasco, saiba quando suplementos ajudam — e quando podem causar mais mal do que bem

Suplementos alimentares prometem energia, imunidade e correção de deficiências. Mas o uso indiscriminado é uma prática comum que pode trazer riscos, interagir com medicamentos e mascarar problemas de saúde. Neste guia prático, mostra os principais riscos dos suplementos, explicamos por que você deve pensar duas vezes antes de tomar cápsulas por conta própria e damos orientações para decidir com segurança.

O mercado de suplementos alimentares movimenta bilhões de dólares globalmente e cresce a taxas impressionantes, impulsionado por promessas de saúde otimizada, prevenção de doenças e performance física melhorada.

No Brasil, a indústria de suplementos faturou mais de R$ 5 bilhões em 2023, com crescimento anual superior a 15%. Dados da Anvisa indicam que existem mais de 30 mil produtos registrados na categoria de suplementos alimentares, e pesquisas mostram que cerca de 50% dos brasileiros consomem algum tipo de suplemento regularmente.

O problema? A grande maioria dessas pessoas toma suplementos sem orientação profissional, baseando-se em informações de redes sociais, influenciadores digitais sem qualificação técnica ou recomendações de vendedores em lojas especializadas.

Esse uso indiscriminado representa um problema de saúde pública significativo, com consequências que vão desde desperdício financeiro até intoxicações graves e interações medicamentosas perigosas. Este artigo não desencoraja o uso legítimo e baseado em evidências de suplementos, mas alerta para os riscos reais de automedicação nutricional irresponsável.

Por que parar e refletir antes de começar

Muitos consumem suplementos por recomendação de amigos, anúncios nas redes sociais, influenciadores fitness ou por acreditar que “não faz mal, é natural”. Entretanto, vários problemas tornam essa prática arriscada:

Nem todo mundo precisa de suplementação: Para a maioria das pessoas saudáveis com acesso a alimentação variada, uma dieta equilibrada fornece quantidades adequadas de vitaminas e minerais. O conceito de “deficiência subclínica” frequentemente usado para vender suplementos muitas vezes não tem validação científica sólida. Estudos grandes como o Iowa Women’s Health Study não encontraram benefícios de mortalidade em usuários de multivitamínicos, e alguns estudos até sugerem possível aumento de mortalidade com certos suplementos em pessoas sem deficiências comprovadas.

Autodiagnóstico é arriscado: Sintomas vagos como fadiga, queda de cabelo, unhas fracas, dores musculares ou baixa imunidade têm dezenas de causas possíveis — desde deficiências nutricionais até doenças graves como hipotireoidismo, diabetes, anemia por causas diversas, doenças autoimunes ou até câncer. Tomar suplementos sem investigar a causa real pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes. Por exemplo, suplementar ferro sem confirmar deficiência pode piorar hemocromatose (doença genética de sobrecarga de ferro); suplementar B12 sem investigar pode mascarar deficiência de folato; e doses altas de vitamina E podem aumentar risco de câncer de próstata em homens.

Qualidade e composição variam drasticamente: Diferentemente de medicamentos, que passam por controle rigoroso antes de chegarem ao mercado, suplementos têm regulamentação mais branda. Estudos independentes já identificaram produtos com quantidades muito menores (ou maiores) do que declarado no rótulo, presença de contaminantes (metais pesados, pesticidas, bactérias), substâncias não declaradas (incluindo esteroides anabolizantes em suplementos de “construção muscular”) e até mesmo ausência completa do ingrediente ativo anunciado. A ConsumerLab e outras organizações independentes testam suplementos regularmente e encontram falhas em 25% a 50% dos produtos avaliados.

Falsa sensação de proteção: Muitas pessoas acreditam que tomar suplementos compensa hábitos ruins (alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool). Essa crença pode levar à negligência de mudanças de estilo de vida genuinamente protetoras. Como disse o pesquisador Dr. Steven Nissen: “A ideia de que você pode tomar uma pílula para compensar uma dieta ruim é mágica, não ciência”.

Riscos e interações mais comuns

Alguns problemas graves associados ao uso imprudente de suplementos:

  1. Toxicidade por excesso (hipervitaminose e sobrecarga mineral)

Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) se acumulam no tecido adiposo e fígado, podendo causar toxicidade:

Vitamina A em excesso: pode causar dores de cabeça, náusea, tonturas, visão turva, dor óssea e, em gestantes, defeitos congênitos graves (teratogenicidade). Casos crônicos levam a hepatotoxicidade e osteoporose.

Vitamina D em excesso: causa hipercalcemia (cálcio elevado no sangue), resultando em náusea, vômitos, fraqueza, confusão mental, arritmias cardíacas, calcificação de tecidos moles (rins, vasos sanguíneos) e insuficiência renal. Doses acima de 10.000 UI/dia mantidas por longos períodos são especialmente arriscadas.

Vitamina E em altas doses: aumenta risco de sangramento, especialmente quando combinada com anticoagulantes. Estudos mostram aumento de risco de câncer de próstata e AVC hemorrágico com suplementação de alta dose.

Minerais também apresentam riscos: Ferro em excesso causa desconforto gastrointestinal severo, constipação, e em casos graves (intoxicação aguda por ingestão de muitos comprimidos), insuficiência hepática e morte. Cálcio em excesso aumenta risco de cálculos renais e pode interferir na absorção de outros minerais. Zinco em altas doses (acima de 40mg/dia por longos períodos) interfere na absorção de cobre, causando anemia e problemas neurológicos. Selênio em excesso causa selenose, com sintomas de queda de cabelo, unhas quebradiças, hálito com odor de alho, fadiga e neuropatia.

  1. Interferências perigosas com medicamentos

Muitos suplementos interagem com medicamentos comuns, alterando sua eficácia ou aumentando riscos:

Vitamina K (presente em multivitamínicos e suplementos de saúde óssea): antagoniza anticoagulantes como varfarina, reduzindo sua eficácia e aumentando risco de trombose e AVC.

Cálcio, magnésio e ferro: reduzem absorção de antibióticos (quinolonas, tetraciclinas), levotiroxina (hormônio tireoidiano), bisfosfonatos (osteoporose) e alguns antivirais. Devem ser tomados com intervalo de pelo menos 2 a 4 horas.

Erva de São João (Hypericum perforatum): induz enzimas hepáticas (CYP450), reduzindo concentração sanguínea de dezenas de medicamentos, incluindo anticoncepcionais orais (risco de gravidez não planejada), antidepressivos (risco de síndrome serotoninérgica quando combinado), anticoagulantes, imunossupressores (risco de rejeição de transplante), antirretrovirais (risco de falha no tratamento de HIV).

Ginkgo biloba: tem efeito antiagregante plaquetário, aumentando risco de sangramento quando combinado com aspirina, clopidogrel, varfarina ou anti-inflamatórios não esteroidais.

Ômega-3 em altas doses: potencializa efeitos anticoagulantes, aumentando risco de sangramento.

Ginseng: pode interferir com anticoagulantes, antidiabéticos (causando hipoglicemia) e imunossupressores.

Vitamina C em mega-doses: pode interferir com quimioterapia e aumentar absorção de alumínio de antiácidos.

  1. Mascaramento de condições sérias

Suplementos podem temporariamente melhorar sintomas sem tratar a causa subjacente:

Ferro corrige anemia, mas não identifica se é por sangramento gastrointestinal oculto (úlcera, câncer colorretal), deficiência de B12/folato, doença celíaca ou outras causas tratáveis.

Vitamina B12 melhora sintomas neurológicos de deficiência, mas não investiga se é por má absorção (gastrite atrófica, deficiência de fator intrínseco), uso de metformina, cirurgia bariátrica ou dieta inadequada.

Suplementos de energia e “estimulantes naturais” podem mascarar fadiga causada por apneia do sono, hipotireoidismo, depressão ou diabetes não controlado.

  1. Contaminação e fraude

Análises independentes revelam problemas alarmantes:

Suplementos de construção muscular: frequentemente contaminados com esteroides anabolizantes não declarados (stanozolol, oxandrolona), causando efeitos colaterais graves e resultando em testes antidoping positivos em atletas.

Suplementos para emagrecimento: podem conter sibutramina (retirada do mercado por riscos cardiovasculares), anfetaminas, diuréticos perigosos e laxantes em doses excessivas.

Suplementos herbais: estudos de DNA barcoding mostram que 30% a 60% não contêm a planta declarada no rótulo, sendo substituídas por plantas baratas sem efeito ou até tóxicas.

Contaminação com metais pesados: suplementos de origem duvidosa (especialmente importados de certos países) podem conter chumbo, cádmio, arsênico e mercúrio em níveis perigosos.

Como escolher e usar suplementos com segurança

Se, após avaliação médica adequada, você e um profissional qualificado decidirem que a suplementação é necessária, siga estas orientações rigorosas:

  1. Consulte profissional qualificado: Médicos (clínico geral, endocrinologista, geriatra), nutricionistas ou nutrólogos são os profissionais capacitados para avaliar necessidade de suplementação. Evite recomendações de personal trainers, farmacêuticos de balcão, vendedores de lojas de suplementos ou influenciadores digitais sem formação técnica adequada.
  2. Exija comprovação laboratorial: Nunca suplemente “no escuro”. Exames que podem identificar necessidade real incluem: hemograma completo (anemia), ferritina (ferro), vitamina B12 sérica, 25-hidroxivitamina D (vitamina D), TSH e T4 livre (função tireoidiana), glicemia e hemoglobina glicada (diabetes), perfil lipídico, magnésio, zinco, e outros conforme história clínica. Trate números, não sintomas vagos.
  3. Escolha marcas confiáveis com certificações: Procure produtos com certificação de terceiros: USP Verified (United States Pharmacopeia), NSF International, ConsumerLab.com, Informed Choice (importante para atletas). Esses selos indicam que o produto foi testado independentemente e contém o que declara, sem contaminantes. No Brasil, verifique registro na Anvisa, que deve constar no rótulo.
  4. Leia rótulos criticamente: Verifique forma química do nutriente (algumas são mais biodisponíveis que outras: por exemplo, citrato de magnésio vs óxido de magnésio; metilcobalamina vs cianocobalamina). Confira dose por porção (não confunda dose do composto com dose do elemento ativo). Observe presença de alérgenos (glúten, lactose, soja, frutos do mar). Verifique validade e condições de armazenamento. Desconfie de alegações exageradas (“cura”, “milagroso”, “revolucionário”).
  5. Evite megadoses e combinações perigosas: Mais não é melhor. Doses muito acima da RDA (Recommended Dietary Allowance) raramente trazem benefícios adicionais e aumentam riscos. Multivitamínicos combinados com suplementos isolados podem facilmente ultrapassar limites seguros. Por exemplo, se seu multivitamínico já tem 100% da RDA de vitamina A, adicionar óleo de fígado de bacalhau pode causar toxicidade.
  6. Monitore e reavalie: Faça exames de controle após 3 a 6 meses de suplementação para verificar se níveis se normalizaram e se não há excesso. Muitas deficiências são temporárias e, uma vez corrigidas, não exigem suplementação contínua. Questione se você precisa continuar indefinidamente ou se pode manter níveis apenas com alimentação adequada.
  7. Informe todos os profissionais: Mantenha lista atualizada de todos os medicamentos, suplementos, fitoterápicos e até chás medicinais que você usa. Leve essa lista a todas as consultas médicas, antes de cirurgias e ao comprar novos medicamentos na farmácia. Interações podem ocorrer até com produtos “naturais”.
  • Se você toma remédios e/ou suplementos, uma dica simples para reduzir erros é organizar o uso. Um organizador semanal de medicamentos ajuda a evitar doses repetidas, esquecimentos e confusão de horários — especialmente quando há mais de um produto envolvido.

Quando procurar um profissional de saúde

Você deve obrigatoriamente consultar um profissional qualificado antes de iniciar suplementação se você se encaixa em qualquer um destes grupos:

Gestantes e lactantes: Muitos suplementos atravessam a placenta ou passam para o leite materno. Excesso de vitamina A causa defeitos congênitos graves. Ervas medicinais podem induzir contrações uterinas ou afetar o bebê. Apenas suplementos comprovadamente seguros e necessários devem ser usados (ácido fólico, ferro conforme exames, vitamina D se houver deficiência, DHA/ômega-3 de fontes seguras).

Crianças e adolescentes: O uso de suplementos em crianças deve ser extremamente criterioso. A maioria não precisa de suplementação se tem alimentação adequada. Exceções comuns: vitamina D em bebês amamentados exclusivamente (400 UI/dia), ferro em prematuros ou crianças com anemia comprovada, e em alguns casos vitamina B12 em crianças veganas. Suplementos proteicos e de “crescimento” vendidos para adolescentes geralmente são desnecessários e podem ser prejudiciais.

Idosos: Pessoas acima de 60 anos têm maior risco de deficiências (vitamina B12 por redução de ácido gástrico, vitamina D por menor exposição solar e produção cutânea reduzida, cálcio por necessidades aumentadas) mas também maior risco de interações medicamentosas devido ao uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia). Avaliação geriátrica completa é essencial.

Pessoas com doenças crônicas: Diabetes (suplementos podem afetar glicemia), insuficiência renal (risco de sobrecarga de potássio, fósforo, magnésio), doenças hepáticas (metabolismo alterado de vitaminas lipossolúveis), distúrbios de coagulação (risco com vitamina K, E, ômega-3, ginkgo), doenças cardiovasculares, câncer em tratamento (alguns antioxidantes podem interferir com quimioterapia e radioterapia).

Usuários de múltiplos medicamentos: Quanto mais medicamentos você toma, maior o risco de interações. Anticoagulantes, imunossupressores, antiepiléticos, antirretrovirais, antidiabéticos e anticoncepcionais estão entre os que mais interagem com suplementos.

Antes de cirurgias: Muitos suplementos aumentam risco de sangramento ou interagem com anestésicos. Geralmente recomenda-se suspender suplementos herbais, ômega-3, vitamina E e outros com efeito anticoagulante 1 a 2 semanas antes de procedimentos cirúrgicos. Informe seu cirurgião sobre tudo que você toma.

Se você usa medicamentos para pressão (ou tem histórico de hipertensão), vale conversar com seu médico sobre monitorar medidas em casa por um período. Um medidor de pressão digital de braço pode ajudar a registrar leituras e levar dados mais objetivos para a consulta — o que é útil sobretudo quando há suspeita de interações ou ajustes de dose.

Quem realmente pode se beneficiar de suplementação (com orientação)

Embora o tom deste artigo seja de cautela, existem situações legítimas onde suplementação é necessária e benéfica:

Gestantes: Ácido fólico 400 a 800 mcg/dia antes da concepção e durante primeiro trimestre (previne defeitos de tubo neural), ferro se houver anemia, vitamina D se níveis baixos.

Veganos e vegetarianos estritos: Vitamina B12 é essencial (não há fontes vegetais confiáveis), vitamina D se exposição solar for insuficiente, possivelmente ferro (em forma não-heme, menos biodisponível), zinco, iodo, ômega-3 (DHA/EPA de algas).

Pessoas com malabsorção comprovada: Doença celíaca, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, insuficiência pancreática, pós-cirurgia bariátrica, gastrite atrófica — todas essas condições prejudicam absorção de nutrientes e geralmente exigem suplementação vitalícia.

Idosos com deficiências documentadas: Especialmente vitamina B12 (até 30% dos idosos têm deficiência), vitamina D (prevenção de quedas e fraturas quando combinada com cálcio), e em alguns casos cálcio.

Pessoas com deficiências comprovadas por exames: Se você tem anemia ferropriva documentada, suplementar ferro é essencial. Se tem deficiência de vitamina D com níveis abaixo de 20 ng/mL, suplementação está indicada. Mas sempre baseado em exames, nunca em suposições.

Atletas de alto rendimento: Podem ter necessidades aumentadas de certos nutrientes devido ao desgaste físico intenso, mas mesmo assim suplementação deve ser individualizada e monitorada por nutricionista esportivo. A maioria dos atletas recreacionais não precisa de suplementação além de alimentação adequada.

Antes de suplementar: otimize sua alimentação

Na maioria dos casos, otimizar a dieta é mais eficaz, seguro e econômico do que tomar suplementos:

Ferro: carnes vermelhas, fígado, feijão, lentilha, espinafre (consumir com vitamina C para melhorar absorção)

Cálcio: laticínios, sardinhas com ossos, brócolis, couve, tofu fortificado, leites vegetais fortificados

Vitamina D: exposição solar de 15-30 min/dia (braços e pernas expostos, sem protetor solar, entre 10h-15h), peixes gordos (salmão, sardinha), gema de ovo

Vitamina B12: carnes, peixes, ovos, laticínios (veganos precisam de suplemento ou alimentos fortificados)

Ômega-3: peixes gordos 2-3x/semana (salmão, sardinha, cavala, atum), linhaça, chia, nozes

Magnésio: vegetais folhosos verdes, nozes, sementes, leguminosas, grãos integrais

Zinco: carnes, frutos do mar (especialmente ostras), nozes, sementes, leguminosas

Vitamina C: frutas cítricas, goiaba, acerola, pimentão, brócolis, morango

Uma consulta com nutricionista para avaliar e ajustar sua alimentação frequentemente resolve deficiências sem necessidade de suplementos.

Conclusão: questione, investigue, proteja-se

A mensagem central deste artigo não é “nunca tome suplementos”, mas sim “nunca tome suplementos sem necessidade comprovada e orientação profissional adequada”. Suplementos são ferramentas poderosas quando usados corretamente — podem corrigir deficiências, prevenir complicações graves e melhorar qualidade de vida. Mas quando usados indiscriminadamente, representam risco de toxicidade, interações perigosas, desperdício financeiro e falsa sensação de segurança que pode atrasar diagnósticos importantes.

Perguntas que você deve fazer antes de tomar qualquer suplemento:

Eu tenho exames que comprovam deficiência ou necessidade aumentada? Um profissional qualificado (médico, nutricionista) recomendou especificamente este suplemento? Conheço a dose correta, forma química mais biodisponível e duração adequada do tratamento? Verifiquei possíveis interações com meus medicamentos atuais? Este produto tem certificação de qualidade de terceiros? Existem alternativas alimentares que poderiam resolver o problema? Vou fazer acompanhamento com exames de controle?

Se você não pode responder “sim” a todas essas perguntas, pause e busque orientação profissional antes de comprar.

Lembre-se: a indústria de suplementos lucra bilhões vendendo a ideia de que todos precisam de suplementação. A ciência diz o contrário — a maioria das pessoas saudáveis com acesso a alimentação adequada não precisa de suplementos. Seu dinheiro e sua saúde são preciosos demais para serem desperdiçados em produtos que você provavelmente não precisa e que podem até prejudicá-lo.

Antes de engolir a próxima cápsula, pergunte ao seu médico: “Eu realmente preciso disso? Você pode me mostrar o exame que justifica essa suplementação?”

Sua saúde merece decisões baseadas em evidências, não em marketing.

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